quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O FILHO DA VIÚVA


          O Sr. Abiel é dono de uma grande banca de frutas na praça da cidade e todos os dias é visitado pelo mendigo Jacob, que vem lhe pedir uma fruta e umas moedas cunhadas. Abiel, homem religioso, nunca negou o pedido do Jacob, mesmo sabendo que ele usava as moedas para comprar algumas doses de bebida alcoólica e dormir na calçada, embriagado, até o cair da tarde. Percebeu que um homem o acordava e ficava a conversar com ele por vários minutos e, antes de ir-se embora, dava-lhe uma garrafa com água e depois partia. E isso repetiu-se por algumas semanas, até que Abiel começou a perceber mudanças no mendigo. Ele continuava a vir pedir-lhe uma fruta pela manhã, recebia as moedas dele, mas já não se embriagava, e sim, comprava sempre algo diferente para comer durante a noite. Como todos os dias pela manhã, chegou Jacob “o mendigo” para falar com o Sr. Abiel, que foi logo pegando uma maçã e algumas moedas e oferecendo a ele. Jacob aceitou a maçã, agradeceu, porém desta vez não aceitou as moedas, e em lugar delas, lhe pediu trabalho. Abiel espantou-se com gigantesca mudança de atitude, e mais ainda quando observou que o estranho que conversava sempre com ele, estava ao longe observando tudo sorrindo, e logo depois partiu como sempre fez.
          Não suportando tanta curiosidade, o comerciante perguntou ao mendigo o que o fez mudar tão rápida e radicalmente de atitude. Jacob sorriu e começou a lhe contar:
-Aquele senhor, diariamente, durante algumas semanas, conversou comigo e me falou muitas coisas sobre a minha própria vida que eu não enxergava e que me fizeram mudar de atitude. No início ele perguntou se eu queria mudar e sair daquela vida. Eu respondi que sim, mas não tinha forças. Então ele trouxe uma garrafa com água, e pediu que eu bebesse todos os dias. Era um líquido amargo e disse que me ajudaria a abandonar o álcool. Explicou-me que quando eu conseguisse me recuperar, lembraria sempre do amargor daquela água, e do tempo em que eu vivia bêbado dormindo na calçada, e depois, quando não precisasse mais bebê-la, apreciaria muito mais a água comum, o alimento saudável, e daria muito mais valor a vida, pois teria conhecido o seu lado amargo, o seu lado cruel. Contou-me sobre o significado do meu nome, Jacob “aquele que vence”, e me falou para não ter pressa, que pensasse sempre durante a noite nas coisas que ele me falava, que bastava que eu subisse um degrau por vez, sem ter a necessidade de saber o que teria no final da escada, mas sempre ir em frente, um passo após o outro. Contou-me lindas passagens da Bíblia, e seu significado, de como Salomão construiu o Templo de Jerusalém e sobre a antiga arte de seus construtores. Coisas de que eu já havia ouvido falar, mas não com aqueles detalhes, que me prenderam tanto a atenção. A sabedoria, a força e a beleza de suas palavras foi o que me reergueu tão rapidamente, pois entravam em meus ouvidos como música suave e lapidavam o meu espírito. Eu sonhava com aquelas histórias, eram como as ondas do mar trabalhando sobre as pedras, fazendo-as polidas e belas. Agora eu sei que o homem e o trabalho são como o corpo e a alma, o primeiro não é nada sem o segundo. Por isso, Sr. Abiel, além de estar aqui hoje para lhe agradecer a tolerância que teve comigo, vim pedir-lhe trabalho e não moedas.
- Puxa, Jacob, eu estou até emocionado com a sua metamorfose e a determinação daquele senhor em ajudá-lo. Claro, venha trabalhar comigo! Mas me diga, quem é aquele homem, pois nunca o havia visto por aqui antes?
-Falou-me, por várias vezes, que era filho de uma viúva e que vinha de uma tal de Loja de São João, cuja divisa é a “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.
Seu Abiel ficou calado por alguns segundos, pois aquelas palavras lhe eram bem familiares, seu avô as usava muito... e com os olhos úmidos falou baixinho:
-Ah! Meu amigo Jacob, já percebi tudo. Aquele era simplesmente um verdadeiro homem de bem, e isso é o que importa.

VAMOS AO TRABALHO!!!

O homem de bem é como um diamante lapidado, jamais voltará ao estado bruto. Pode-se pisar nele e até jogá-lo na lama, que mesmo no fundo do poço ele sempre será um diamante.” (Paulo Regent)
Paulo Regent


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

FELIZ CICLO NOVO

          A esperança sempre se renova no começo de cada novo ciclo. Que possamos, um dia, compreender que devemos concentrar toda a nossa fé, toda a nossa energia para fazermos deste mundo um lugar melhor para se viver. Vamos crer que é possível! Que a paz é possível... Que o amor existe... Que o velho que se vai, deixa-nos a experiência e a sabedoria e o novo que chega será a continuidade de tudo de bom que se iniciou. Que a felicidade seja nosso caminho, que o compartilhar seja a nossa meta, que possamos compreender que o direito é igual para todos. Que na verdade não morremos, mas transmutamos. Que a vida não termina aqui, que somos seres eternos... Vamos crer que é possível... Sim, é possível! Que possamos sorrir e recebermos de volta um sorriso; Que possamos ser felizes e contagiarmos aqueles a nossa volta; Que possamos agradecer porque assim teremos recebido uma graça; Que possamos repartir porque é sinal que não nos falta; Que possamos ouvir mais do que falar; Que possamos falar só o necessário; Que possamos perdoar quando ofendidos; Que possamos aprender que é possível nunca nos ofendermos; Que possamos transmitir a paz porque assim a paz estará conosco; Que possamos sempre sonhar e realizar; Que possamos sempre perceber, que a medida em que aprendemos, muito ainda teremos a aprender. Que possamos perceber que não importa se vamos devagar, que o importante é nunca parar. Que possamos estar sempre unidos, e que sejamos dignos do amor que recebemos do Divino Mestre Jesus.

"Que possamos sempre lembrar que uma pequena gota de boa vontade é o bastante para provocar um tsunami de boas ações."

Paulo Regent



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O SILÊNCIO DOS BONS.

                    Vivemos num tempo em que a humanidade procura a evolução tecnológica e pretere a espiritual, e uma grande parte dela continua vivendo na obscuridade, na Idade Média. Os cientistas, a cada dia que passa, conseguem decifrar mais e mais os mistérios desse universo maravilhoso em que vivemos, já ouvimos falar no Bóson de Higgs, que surgiu logo após a sua criação pela explosão do Big-Bang, e é chamada de “partícula de Deus”, porque assim como Deus, está em todas as partes, mas que é difícil de se definir. Também nos disseram já haver encontrado sinais de que “Europa”, uma das luas de Júpiter, possui água em sua superfície e que existe um oceano abaixo de uma vasta camada de gelo, e que pode ser um habitat para que a vida se forme, informações enviadas pela sonda Galileu, lançada em 1989. Robôs de várias formas diferentes são criados para facilitar a nossa vida, a medicina cada vez mais avançada, fazendo descobertas que nos permitirão viver mais a cada ano que passa. Mas uma parte da humanidade parece não acompanhar essas maravilhas, eu tomo como exemplo o Brasil, porque sou brasileiro e vivo aqui, ou melhor, convivo com tudo isso que, melancolicamente vejo acontecer. É com tristeza que assisto todos os dias aos noticiários que nos mostram cenas de como o nosso povo mais humilde é maltratado e humilhado por uma pequena parte da sociedade, que privilegiada por uma existência controladora, não dá a mínima. A saúde pública de nosso país é uma vergonha, a nossa polícia é uma vergonha, e os políticos... @*$#*&%!!! Pois é, não tenho palavras para defini-los. Há quem compare o político honesto com ETs, isso mesmo, Extra-Terrestres, porque há quem creia que exista, mas nunca viu. Há os céticos... “político honesto, tá doido? Isso não existe não!”... E há aqueles que só acreditam vendo. Antigamente a nossa sociedade era dividida em classes: A, B, C e D, ou melhor, Rica, Média Alta, Média Baixa e Pobre. Hoje bastam duas: Os honestos e desonestos. Do primeiro grupo faz parte a maioria de nossa população que é pobre, sofredora e manipulada, que trabalha quando pode e paga impostos que são desviados para satisfazerem necessidades particulares de poucos, que não tem direito a uma vida digna, com escolas decentes, hospitais públicos decentes, e lógico também, de algumas poucas pessoas que conseguiram vencer honestamente, mesmo em meio a esta podridão instalada, que tem uma vida digna alcançada pelos seus próprios esforços. O segundo grupo é de uma minoria privilegiada que vive de falcatruas, apropriando-se de bens que deveriam pertencer a todos e que são protegidos por uma legislação arcaica que já deveria ter sido revisada há séculos. Este segundo grupo é formado por aqueles que insistem em fazer força para manter nosso País na Idade Média, porque lhes é conveniente assim, onde a justiça não tem vendas, onde a segurança e a cultura para os mais humildes é algo desnecessário, porque esses poucos de quem falo, não sofrem por este mal, pois tem fácil acesso à boas escolas e aos hospitais caros e de alto nível além de segurança 24 horas por dia. É neste Reino de Impunidade e protecionismo que vivemos, e quem sabe um dia, possamos construir naves, para mandarmos de volta aos seus planetas de origem, os terríveis ETs , não os honestos, mas o desonestos, que nos amedrontam e nos controlam ao seu bem querer, que consomem as nossas verbas públicas. Também aqueles que deveriam ser os representantes da lei nas ruas e que a usam para benefício próprio achando-se donos delas, os maus policiais, que fazem sentir-nos envergonhados, pois afinal esta Terra não é de alguns poucos, mas de todos nós BRASILEIROS.


"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."
Martin Luther King      


Paulo Regent

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A VIDENTE

“Nada é mais fantástico do que o cotidiano” - Essa frase é atribuída ao poeta e escritor francês Louis Aragon, que nasceu em Paris no ano de 1897, e eu concordo plenamente com ela. As pessoas comuns de nosso dia-a-dia, aqueles que cruzam a estrada de nossas vidas, e que naquele momento não nos chamam muito a atenção, e só mais tarde, quando as lembranças surgem é que lhes damos o devido valor, são esses os personagens desse nosso cotidiano fantástico.
            Um desses personagens, que por um breve piscar de olhos diante da eternidade, cruzou o meu caminho, chama-se Celi, uma senhora vidente, é só o que me lembro de seu nome, morava na Rua Maximiano em Niterói, numa casa no alto de uma escadaria que nos deixava ofegantes ao chegarmos lá em cima. Estive lá por várias vezes acompanhando minha mãe que se consultava com ela, isto foi lá pelos anos 70, ela era cartomante e tinha vidência por um copo de vidro sem asperezas e límpido, com água e uma pedra dentro dele. Minha curiosidade e interesse pelo assunto cresceram tanto que passei de acompanhante de minha mãe à consulente. Sabemos bem que charlatães existem desde os primórdios a enganar os incautos e menos avisados, mas este não é o caso aqui. Dentre todas as previsões que ela me fez, certeiras por sinal, a que mais me impressionou aconteceu em 17 de Junho de 1970, e eu jamais poderia esquecer isso, porque na verdade, aquela previsão não me pertencia, mas sim a todos os brasileiros. Nós aguardávamos para sermos atendidos na sala de espera da casa e eu estava impaciente, pois faltavam alguns minutos para se iniciar o jogo entre as seleções de Brasil e Uruguai pela Copa do Mundo de Futebol. Com 15 anos de idade, andava de um lado para o outro da sala querendo ir logo pra casa para assistir ao jogo que seria transmitido ao vivo pela televisão. O tempo foi passando até que chegou a nossa vez. Nessa época eu ainda estava naquela fase de curiosidade e a vidente também não tinha muito que falar de minha vida particular, só das provas, das atividades escolares, coisas pequenas e banais. Ela conversou muito com minha mãe, o jogo já havia começado, então fez uma pausa, saiu e voltou à sala das consultas onde estávamos. Foi então que ela se voltou pra mim e disse:
-Rapaz, eu não tenho muito a lhe dizer hoje não, mas o que vou lhe contar vai valer por tudo o que eu não falei pra você hoje ainda.
-Sim Celi, o que é?
-Enquanto estive lá fora, dei uma olhada rápida no jogo e o Brasil está perdendo para o Uruguai por 1X0.
Eu fiquei muito chateado, mas continuei ouvindo.
-Não se preocupe não garoto, o Brasil vai ganhar de 3X1. Clodoaldo vai empatar, Jairzinho vai fazer o segundo gol e Rivelino vai fazer o terceiro no finalzinho do jogo.
Naquele momento não sabia o que dizer, fiquei feliz, mas não dei muita bola não, afinal ela estava me dizendo até os nomes dos que fariam os gols, meras conjecturas talvez, difícil de crer.
          Chegando em casa, estavam todos sentados à frente da TV, e nós chegamos com essa notícia, pois o Brasil ainda perdia por 1X0. Não demorou muito e as previsões começaram a acontecer, Clodoaldo empatou aos 44 min. do 1º Tempo. No segundo Tempo Jairzinho fez o segundo gol aos 31 min. e no finalzinho do jogo, aos 44 min., Rivelino fez um golaço, o terceiro. Parecia um filme que eu já havia assistido, mas era ao vivo e real, tudo conforme ela previu. Eu sou testemunha de uma vidente de verdade! Quanto à Celi, nós ainda nos consultamos com ela por alguns anos, muitas coisas boas nos foram preditas, graças a Deus! Um belo dia voltamos para mais uma consulta e tivemos a notícia de que ela havia se mudado e não deixara endereço com ninguém. Coisa estranha! E nunca mais tivemos notícias dela.
Paulo Regent